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Meus livros

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Para bons entendedores...MINICONTOS bastam!

Caminhos Tortuosos

Era um menino bonito. Era inteligente. Foi crescendo. Conhecendo gente. Um dia, os amigos lhe apresentaram um bonde. Pegou o bonde errado. Eles faziam de tudo. Não cheiravam o olor das flores. Não aspiravam a brisa da manhã, a fumaça impedia. A pedra que conheciam não era a de Drummond. Levavam objetos alheios. Sentavam à margem da vida. Já não era mais bonito. A inteligência se perdera nos bolsos furados. Até que conheceu balas que não eram de hortelã.

(Classificado em 1º lugar no Concurso Anual da ACL em 2012; e classificado entre os 48 dos 747 participantes no concurso Autores S/A em 2013)


Infância perdida



Sua vidinha era fácil não! Enquanto outras da sua idade faziam tarefas escolares, passeavam no shopping, desfilavam mochilas da Barbie, brincavam no parque e dormiam cedo, ela brincava na rua, altas horas, com seu uniforme diário: microssaiinha, meia-calça furada,  saltos altos carcomidos... E a bolsinha vermelha.

Fora engolida pela boca escancarada do sistema.

(Classificado em 1º lugar no Concurso Anual da ACL em 2012; e classificado entre os 20 dos 48 participantes no concurso Autores S/A em 2013)

Escola da vida

Bailarina adolescente, passos afoitos, rodopiou na dança da vida... Dançou... Dançou... Dançou e... Cresceu.

(Classificado entre os 16 dos 20 participantes no concurso Autores S/A em 2013)

Peregrinação

         Para, em pânico, na porta. Pensa. Precisa. Poderá perecer. Parece pesadelo. Prevalece o pavor que perdura. Procura paz. Prefere prosseguir a pé pelos 30 pavimentos do prédio.
                (Classificado entre os 12 dos 16 participantes no concurso Autores S/A em 2013)

DESAFIO EXTRA: OS 100 TOQUES CRAVADOS

 Ato Supremo

         Suava e se retorcia e sorria! A respiração ofegante marcava o fim do ato. Nasceu forte... Saudável!

(Escolhido o melhor do grupo, no concurso Autores S/A, pelo jurado Paulo Fodra)

Eternamente ATEU

Acreditava apenas no que via. Do resto? Zombava. A morte, que não desgruda da vida, um belo dia, sentou-se sorrateiramente ao seu lado... E o obrigou a ir.
Com ela cruzou a ponte, rasgou o horizonte.
A Fé correu feliz ao seu encontro, a fim de levá-lo a Deus!
Passou rasteiro por ela. 

       (Classificado entre os 8 dos participantes 12 no concurso Autores S/A em 2013)

DESAFIO EXTRA: TEMA “SMS”

Era descartável

O último celular trocara com bem menos tempo de relação. Agora era chegada a vez do outro objeto íntimo pessoal, que já beirava os sessenta dias de uso.
Resolveu o problema: enviou logo um SMS, afinal, o modelito alto, forte, com olhos esmeraldas era bem mais atual!



Suicídio

No jogo da vida, jamais vencera. Decidiu ganhar na última partida.


                  (Classificado em 7º lugar  na semifinal do concurso Autores S/A em 2013)
  

Mais  uns...


         Interrupção

Apenas quatro meses de sonhos e sapatinhos. Esguichos de sangue foram o ponto final da história.

 Perda irreparável

Saltitava e gritava com o resultado da megassena na mão, enquanto no caminhão do lixo revirava-se o cartão perdido.


Preconceito

A fila era quilométrica, a empresa, conceituadíssima, mas valeria a pena, afinal tinha terminado o curso de engenharia com láureas.
 A entrevista fora um sucesso. Sem dúvida, o melhor candidato.
Não conseguiu. Juntou as mãos de pele escura para secar as lágrimas!

(Classificado no XXXI concurso UNISO - 2012)


Revide

As vozes estridentes ecoavam pela pequena rua sem saída. Estrondos  vindos do casebre davam a impressão de que ele voaria ao encontro do barrancão a qualquer momento.
Gritos, urros femininos...
Até que alguém rola escada abaixo, moribundo!
A mulher desce magra e calada... E observa friamente o seu feito. 


Fria despedida

Um quinquênio, mais de 1000 dias lá. Todos os dias, assinava o livro-ponto.
Foi embora, como se voltasse no dia seguinte.

Noite Fria

Dobrou seus joelhinhos magros e sujos e pediu um presente ao Papai Noel. Esperou até cair entorpecido.
A calçada não abrigava chaminé, nem pinheirinho, nem presépio. 


Analfabeto político

Via o mundo de uma maneira tão animal... Tinha conflitos de identidade, nunca soube se era um avestruz ou uma toupeira.


Juízo final

Cerrou os olhos. A vida passando em cenas como um filme, desfilavam arrependimentos que explodiam em dores. apertou os olhos, que nunca mais se abrira.

Amor de verão

Os amarelos coloriam o ambiente. o pôr do sol invadia a janela entreaberta e se misturava ao amarelo perfumado das rosas, no centro da mesa, que testemunhava o cenário dourado daquele amor. Mas o outono chegou e o amor amarelou. Murchou, secou.

Manifestação cívica

A violência vandalizava, na rua direita dos direitos, travestida de democracia.

Desajuste

Lá no fundo da sala, um olharzinho redondo, quieto, parece estar ouvindo o que a professora explica. Mas do lado de dentro passa um filme de protagonistas desvairados. Gritos, tapas, estresse, escassez de fartura, barraco no barraco, gato de luz, gota de água... Roda a fita, roda a cabeça sem rumo. Caminha na escuridão da consciência, arranhado pela miséria, machucado pela existência, rumo às ciladas da vida. E a professora explicando, preparando para a vida...

Violência

Feliz, convida o amigo para a farra, que deixa o infeliz sem vida.

Amor migrante

A praia deserta acolhia os dois na areia fofa, quente. O amor explodia em poesia, até pegar carona nas asas das andorinhas.

3 comentários:

edweinels disse...

Grandes microcontos. Foi uma honra estar na competicao com voce, amiga. Um grande beijo. Edweine Loureiro

Carla disse...

Sem dúvida, uma escrita reflexiva e motivadora! Parabéns!

profe rosi disse...

Oi Jussara!!! Conheci o teu trabalho através das assessoras da SMED. Adorei os microcontos!
Parabéns pela tua produção!